segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

A prefeitura do Rio dando o que ler...




Medida busca tentar chegar ao topo do Ideb.


RIO — Para levar o Rio ao primeiro lugar no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), a prefeitura pretende ampliar de 15% para 35% o número de alunos matriculados em período único (com sete a oito horas de permanência nas escolas) até 2016. A primeira medida para atingir a meta será publicada no Diário Oficial da próxima terça-feira, logo após a posse do prefeito reeleito Eduardo Paes. Um decreto municipal criará o programa Fábrica de Escolas que terá como missão construir 277 unidades — Espaços de Desenvolvimento Infantil, Edis, da creche à pré-escola, e escolas de ensino fundamental — e reformar outras 19 para adequar a rede ao novo plano.
Hoje, já existem 349 creches (incluindo os Edis, que atendem crianças de seis meses até 5 anos e 11 meses) e 116 escolas de ensino fundamental em período único, com 101 mil crianças atendidas (15%). Em 2013, deverão ser criadas mais 28 mil vagas. Com os novos prédios, serão quase 100 mil matrículas em período único, totalizando 228 mil crianças beneficiadas (35% das matrículas da rede).
A previsão é que as primeiras unidades sejam entregues em janeiro de 2014. Isto porque as Edis e escolas poderão ser erguidas com estruturas pré-fabricadas em oito meses. As escolas terão quadras poliesportivas, sistemas de refrigeração e aproveitamento da água da chuva e da iluminação solar.
Pelos cálculos da prefeitura, o programa Fábrica de Escolas terá R$ 2 bilhões para investimentos (cerca de R$ 7 milhões por unidade). Paes diz que o projeto ajudará a consolidar a proposta iniciada para a área da educação em seu primeiro mandato.
— Meu primeiro ato como prefeito, no primeiro mandato, foi acabar com a história da aprovação automática. Acho que avançamos muito nesse primeiro mandato. Estamos numa situação hoje em que podemos ousar e dizer que a cidade do Rio pode ser uma referência em escala na questão do turno único.
Experiência bem-sucedida no exterior
A secretária municipal de Educação, Cláudia Costin, avalia que a implantação do turno único terá impacto na avaliação do Rio no Ideb. Segundo ela, os 15 primeiros países na prova do Programa Internacional de Avaliação dos Alunos (Pisa, na sigla em inglês) adotam o turno de até oito horas nas escolas. Costin explicou que os alunos terão aulas durante as sete ou oito horas que permanecerem nas unidades:
— Nós conseguimos um aumento no Ideb muito importante. No caso do ensino fundamental dos anos finais, tivemos um aumento de 22% na nota. Para colocar o Rio em primeiro lugar ou perto dos primeiros lugares, não dá mais para fazer o que já fazemos, que é ter um currículo único, provas bimestrais. Nenhum país entre os 15 primeiros no Pisa adota quatro horas e meia de ensino, como é o caso do Rio.
No Ideb 2011, o município do Rio obteve nota 5,4 nos anos iniciais (1º ao 5º) — ficando em quarto entre as capitais. Florianópolis teve a melhor nota (6), seguida de Curitiba, Palmas, Campo Grande, todas com 5,8, e Belo Horizonte, com 5,6. Nos anos finais (6º ao 9º), o Rio obteve nota 4,4 — e a quinta posição entre as capitais. A primeira é de Campo Grande, com 5.
O programa Fábrica de Escolas é uma referência ao projeto de mesmo nome dos anos 80, pelo então governador Leonel Brizola e seu vice Darcy Ribeiro, e que também tinha a missão de expandir a rede pública, ampliando o número de horas das crianças nos colégios. Mas Costin diz que o modelo atual, criado após um estudo sobre as demandas dos bairros, é mais ousado:
— O conceito criado com a Fábrica de Escolas está na história da educação do Rio, por isso essa referência. A lógica de Darcy Ribeiro era que as crianças tivessem tudo de que precisassem dentro das escolas, porque eram crianças excluídas. De manhã, elas tinham aulas, e à tarde, oficinas. Esse conceito, na forma como foi desenvolvido, nós usamos nas Escolas do Amanhã. Agora, a ideia é ainda mais ousada, porque, do 1º ao 5º ano, teremos sete horas de aulas, como fazem os países mais desenvolvidos.
Especialista acha meta pouco ambiciosa
Para Míriam Paura, professora da Faculdade de Educação da Uerj, a ampliação do número de alunos matriculados no turno único é bem-vinda. Mas ela lembra a necessidade da aplicação de um projeto pedagógico com foco não apenas no aprendizado, mas também na formação:
— Acho a meta ambiciosa e estou de acordo com a medida. Espero que a prefeitura a cumpra, mas espero também que, no tempo em que as crianças permaneçam nas escolas, elas tenham a oportunidade de aprender e ter uma formação. Para isso, é necessário ter professores qualificados e materiais pedagógicos.
Doutora em educação e ex-secretária municipal de Educação (1993-1996), Regina de Assis acha que, antes de as obras, seria preciso ocupar os espaços ociosos da rede:
— Acho a meta de elevar para 35% tímida. Se você considerar que hoje são 1.423 creches e escolas, estamos falando de uma expansão de cerca de 19% em quatro anos. Se planejam construir unidades de período único, acho que o primeiro passo seria fazer um diagnóstico preciso da rede, porque há escolas que não têm ocupação de 100%. Essas unidades precisam ser utilizadas, para não desperdiçarmos dinheiro.
Ao assumir, em 2009, Paes acabou com a aprovação automática, uma das promessas de campanha. Mas outras na área da educação não foram cumpridas ou o foram parcialmente. Ele tinha como meta triplicar o número de crianças nas creches e oferecer 160 mil vagas na pré-escola. Em setembro, O GLOBO constatou que as duas promessas não foram cumpridas. Paes discordou. Na sua primeira gestão, Paes construiu 13 escolas de ensino fundamental e cem Edis. Em quatro anos, a prefeitura reformou 19 escolas e reconstruiu 15. A rede conta hoje com 1.423 unidades, sendo 1.074 escolas, 100 Edis e 249 creches antigas.



E aqui em nossa cidade? Quais são as propostas do nosso prefeito?
Espero respostas e passo adiante para interessados. 
#CAXIAS QUER SABER/EDUCAÇÃO
 

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