domingo, 1 de julho de 2012

Trabalhos acadêmicos parte II


Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Faculdade de Educação da Baixada Fluminense
Professora:
Aluna:   Dayse Alves                      Turma:5            1º período
Disciplina: Perspectiva Histórica das Ideias  e Práticas Pedagógicas 1
       
ENSAIO SOBRE  “ A ARQUEOLOGIA DO SABER” DE FOUCAULT.



Apresentação

       A partir de um esforço notável do autor no sentido de reestabelecer as bases sólidas para a investigação científica e uma revisão conceitual que enfatizem a natureza recorrente da história epistemológica,somos levados a conclusão de que não temos nada mais o que esperar de um  falso conhecimento objetivo,nem das ilusões da subjetividade pura,mas tudo o que aprender e compreender de uma arqueologia das práticas(a medicina,a biologia ou a economia política,que fizeram de nós aquilo que somos,necessitam ser analisadas criticamente no propósito de elucidar conhecimentos “esquecidos” ou negligenciados.
       As ciências humanas segundo o autor ”são mais do que saber-elas são uma prática,elas são instituições...”Assim,pode-se imaginar que não haverão análises que se justifiquem por si só e que não deixem lacunas pra novas narrativas e reflexões.Com uma valoroza lição sobre a construção do saber no ocidente afirma:”nessas disciplinas que,apesar de seu título,escapam em grande parte,ao trabalho do historiador e a seus métodos, a atenção se deslocou,ao contrário,das vastas unidades descritas como “épocas” ou “séculos para fenômenos de ruptura.Sob as grandes continuidades do pensamento, sob as manifestações maciças e homogêneas de um espírito ou de uma mentalidade coletiva, sob o devir que luta apaixonadamente por existir  e  por se aperfeiçoar desde o seu começo,sobe a persistência de um gênero,de uma forma,de uma disciplina,de uma atividade teórica,procura-se agora detectar a incidência das interrupções,cuja posição e natureza são,aliás, bastante diversas.”(p.4)
         Assim,diante das diversas possibilidades históricas as quais o autor analisa,demonstra em seu discurso a motivação de continuar fiel a si mesmo e as suas convicções quando afirma:” em suma,a história do pensamento,dos conhecimentos,da filosofia,da literatura,parece multiplicar as rupturas e buscar todas as perturbações da continuidade,enquanto que a história propriamente dita,a história pura e simplesmente,parece apagar,em benefício das estruturas fixas,a irrupção dos acontecimentos.”(p.6)
        Em uma época de transformações e experimentações Foucault,com sua análise clara e objetiva,valoriza a busca incansável e prazerosa pelo conhecimento e sugere uma visão crítica e reflexiva sobre a história,comparando-a com a arqueologia no sentido de voltar-se para a descrição intrínseca do monumento.
       Ao analisarmos essa obra valoroza,buscaremos mecanismos para uma exposição de idéias que relatem ou discutam fatos ocorridos no passado que nos influenciaram e moldaram de certa forma.


Desenvolvimento

         Nas leituras sobre história,notamos que podemos percorrer diversos,caminhos,experiências e em sua maioria de eventos haverão “histórias “ a mais para serem contadas ou recontadas.”O aparecimento dos períodos longos na história de hoje não é o retorno às filosofias da história,às grandes eras do mundo,ou às fases prescritas pelo destino das civilizações;é o efeito da elaboração,metodologicamente organizada,das séries.Ora,na história das idéias,do pensamento e das ciências, a mesma mutação provocou um efeito inverso:dissociou a longa série constituída pelo progresso da consciência, ou a teologia da razão,ou a evolução do pensamento humano; pôs a questão,novamente,os temas da convergência e da realização;colocou em dúvida as possibilidades da totalização.”(p.9) Assim,a análise requer atenção quanto seus objetivos e aspirações.


        Foucault observa também, que a descontinuidade tida como estigma da dispersão temporal que o historiador encarregava de suprimir da história ,é hoje aceita como um dos elementos fundamentais da análise histórica.Ela é enfim,o conceito que o trabalho não deixa de especificar.Ainda em suas observações ,afirma que um dos traços mais essenciais da história nova é,sem dúvida,esse deslocamento do descontínuo sua passagem do obstáculo à prática;sua interação no discurso do historiador,no qual não desempenha mais um papel de uma fatalidade exterior que é preciso reduzir,e sim um conceito operatório que se utiliza.


        Os  temas globais tem dado lugar aos assuntos multiculturais onde valorizam a vida,costumes,filosofia e história de grupos antes marginalizados que hoje vem demonstrando terem também “o que “ contar sobre sua história.

        A história da África sob a perspectiva dos indivíduos que dela originam, é um dos recentes exemplos de valorização de histórias que no passado foram “deixadas de lado”,por grande parte dos livros didáticos em nosso país.Mas, a partir da lei:



Altera a Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática "História e Cultura Afro-Brasileira", e dá outras providências.
        O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:
        Art. 1o A Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, passa a vigorar acrescida dos seguintes arts. 26-A, 79-A e 79-B:
"Art. 26-A. Nos estabelecimentos de ensino fundamental e médio, oficiais e particulares, torna-se obrigatório o ensino sobre História e Cultura Afro-Brasileira.
§ 1o O conteúdo programático a que se refere o caput deste artigo incluirá o estudo da História da África e dos Africanos, a luta dos negros no Brasil, a cultura negra brasileira e o negro na formação da sociedade nacional, resgatando a contribuição do povo negro nas áreas social, econômica e política pertinentes à História do Brasil.
§ 2o Os conteúdos referentes à História e Cultura Afro-Brasileira serão ministrados no âmbito de todo o currículo escolar, em especial nas áreas de Educação Artística e de Literatura e História Brasileiras.

Assim,afirmamos a importância de uma análise com base interior sólida e a promessa de boas leituras.A liberdade que possuímos de pensar globalmente e o local,pode ser melhor utilizada a partir do que o autor chama de uma deliberação do historiador,inicialmente e também o resultado  de sua descrição,pois,ele se dispõe a descobrir os limites de um processo,o ponto de inflexão de uma curva,a invasão de um movimento, etc ,permitir o benefício da valorização da individualidade das sociedades existentes,o respeito as diferenças e objetivo de uma educação humanista e emancipadora.


Conclusão


           Vivemos um momento de explosão literária,onde os meios tecnológicos que estão por toda parte nos grandes centros urbanos,permitem o acesso a diversos conhecimentos e informações que influenciam,amedrontam,confundem,elucidam, conseguem a atenção de alguns indivíduos que interpretam ou apenas recebem o conteúdo sem questionar ou analisar e o reproduzem.A tarefa de ensinar história demonstra ser um desafio que necessita constantemente se reinventar à didática,experimentar e realizar suas demonstrações de maneira contextualizadas e úteis  para a vida da sociedade pós-moderna da qual fazemos parte.
           Como futuros profissionais da educação antes de tudo seres históricos, acreditamos na importa de uma educação que busque o caminho da reflexão,o diálogo,o respeito e a ética na formação escolar e após o seu término.
           Concordamos com Foucault quando analisa “O perigo ,em suma, é que um lugar de dar fundamento ao que já existe,em lugar de reforçar com traços cheios linhas esboçadas,em lugar de nos tranqüilizarmos com esse retorno e essa confirmação final,em lugar de completar esse círculo feliz que anuncia,finalmente,após mil ardis e igual número de incertezas,que tudo se salvou,sejamos obrigados a continuar fora das paisagens familiares,longe das garantias a que estamos habituados,em terreno ainda não esquadrinhado e na direção de um final que não é fácil prever.O que,até então, velava pela seguranças do historiador e o acompanhava te o crepúsculo(o destino da racionalidade e teleologia das ciências, o longo trabalho contínuo do pensamento através do tempo,o despertar e o progresso da consciência, sua perpétua retomada por si mesma, o movimento inacabado mas ininterrupto das totalizações,o retorno a uma origem sempre aberta e, finalmente, a temática histórico-transcendental), tudo isso não corre o risco de desaparecer,liberando à análise um espaço branco,indiferente,sem interioridade nem promessa?”(págs.44 e 45 ).


Fonte:

Foucault-Michel- A Arqueologia do Saber,1969.6ª edição-2008.Editora Forense.

Bauman-Zigmunt-O Mal-Estar Da Pós-Modernidade,1998.Editora Zahar.

Acesso em 10/06/2012 às 18h e 22 min.

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